Vídeo gravado pela vítima revela momento do ataque: síndico é indiciado pelo homicídio de corretora em Caldas Novas

Policial / 153

Celular recuperado de caixa de esgoto comprova emboscada no subsolo do condomínio; laudo pericial indica que Daiane Alves foi executada com dois tiros na cabeça em área de mata, a 15 quilômetros do local do crime

Um vídeo gravado pela própria vítima momentos antes de ser atacada tornou-se a principal prova do homicídio da corretora Daiane Alves, desaparecida no dia 17 de dezembro. As imagens, recuperadas do celular da vítima — descartado na caixa de esgoto do condomínio onde ela morava —, mostram o síndico Cléber Rosa se aproximando dela no subsolo do prédio, desfazendo qualquer hipótese de que a mulher teria deixado o local voluntariamente.

A recuperação do aparelho foi o ponto de virada nas investigações da Polícia Civil de Goiás. Apesar da tentativa de destruição e ocultação do dispositivo, peritos conseguiram extrair os arquivos de vídeo armazenados. As imagens revelam que Daiane filmava a falta de energia em seu apartamento quando foi surpreendida pelo síndico. A gravação registra o exato instante da abordagem e consolida a tese de emboscada premeditada.

Foto: Divulgação PCGO

Um histórico de perseguição

O crime não surgiu do nada. O inquérito policial detalha meses de perseguição sistemática — caracterizada juridicamente como stalking — movida por disputas no mercado de locação de imóveis. Antes de ser morta, Daiane havia registrado boletins de ocorrência relatando agressões físicas e episódios de sabotagem, como o corte de serviços essenciais em sua residência. A análise do celular, cruzada com esses registros anteriores, permitiu à Polícia Civil traçar com precisão o perfil de retaliação adotado pelo síndico.

Levada viva, executada na mata

Foto: Divulgação PCGO

As conclusões periciais são chocantes. Segundo o laudo, o ataque inicial no subsolo foi realizado com um instrumento contundente — uma escolha que evitou o barulho de disparos dentro da edificação e impediu que outros moradores fossem alertados. Daiane foi colocada ainda com sinais vitais na caminhonete de Cléber Rosa e transportada por aproximadamente 15 quilômetros até uma área de mata às margens da GO-213.

Foi lá que a execução foi concluída. Dois disparos atingiram a região craniana da corretora. A ossada e os vestígios encontrados no local confirmaram a trajetória dos projéteis e a ausência de estojos no subsolo do prédio — o que já havia levado os investigadores a suspeitarem, desde cedo, que a morte havia ocorrido em outro ponto. A tese de premeditação é reforçada pela escolha deliberada de um local isolado, onde o som dos tiros não pudesse ser ouvido.

Foto: Divulgação PCGO

Com o encerramento do inquérito, Cléber Rosa foi indiciado por homicídio qualificado. O vídeo gravado por Daiane Alves, numa tentativa desesperada de documentar o que vivia, tornou-se, ao fim, a prova mais contundente contra seu algoz.

Fonte: PCGO/Mais Goiás 
Foto/Vídeo: Divulgação PCGO/Mais Goiás