TJGO lança edição 2026 do Clube de Leitura Antirracista e celebra legado de pioneira negra goiana

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Iniciativa do Tribunal de Justiça de Goiás abre inscrições para encontros virtuais com quatro obras de autores negros e indígenas; clube homenageia Leodegária de Jesus, primeira mulher a publicar um livro literário no estado

O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) abriu nesta segunda-feira (9) as inscrições para a edição 2026 do Clube de Leitura Antirracista "Leodegária de Jesus". A iniciativa, promovida pela Coordenadoria de Igualdade Racial em parceria com a Escola Judicial de Goiás (Ejug), chega a mais um ano com o propósito de fomentar o pensamento crítico sobre questões raciais por meio da literatura — e desta vez inclui, pela primeira vez, uma obra voltada à cosmovisão dos povos indígenas.

Aberto ao público interno e externo, o clube realiza seus encontros de forma virtual, pela plataforma da Ejug, onde os participantes também têm acesso a fóruns de discussão e materiais de apoio relacionados a cada obra. As inscrições podem ser feitas pelo link disponibilizado pelo TJGO.

Diálogo antirracista ampliado

A coordenadora de Igualdade Racial do TJGO, juíza Adriana Maria dos Santos Queiroz de Oliveira, ressaltou que a programação de 2026 mantém o compromisso de ampliar o debate sobre o racismo estrutural e as desigualdades raciais. "Em 2026, o Clube de Leitura Antirracista segue com o objetivo de promover o debate sobre questões raciais a partir da literatura, estimulando o pensamento crítico e o compartilhamento de ideias", afirmou a magistrada.

A juíza também destacou que a inclusão de uma obra do pensador indígena Ailton Krenak na grade de 2026 representa um avanço no escopo do projeto, que passa a contemplar, de forma mais explícita, a pluralidade das experiências e visões de mundo dos povos originários brasileiros.

Quatro obras, quatro encontros ao longo do ano

A programação prevê a leitura de quatro títulos distribuídos ao longo de 2026, cada um seguido de um encontro virtual de discussão. O ano começa com Futuro Ancestral, de Ailton Krenak, lido entre março e abril, com debate marcado para 23 de abril. Em seguida, de maio a junho, a leitura será Canção para Ninar Menino Grande, de Conceição Evaristo, com encontro em 26 de junho.

O segundo semestre reserva Água de Barrela, de Eliana Alves Cruz, com leitura entre julho e setembro e debate no dia 25 de setembro. O ano encerra com O Céu para Bastardos, de Lilia Guerra, cujo período de leitura vai de outubro a novembro, com discussão em 27 de novembro. Todos os encontros acontecem das 9h30 às 11h.

Pioneira homenageada: quem foi Leodegária de Jesus

O nome escolhido para batizar o clube não é por acaso. Leodegária Brazília de Jesus, nascida em Caldas Novas em 1889, é considerada uma das primeiras intelectuais negras de Goiás no período pós-abolição. Criada em Jataí até os 14 anos, mudou-se para Vila Boa — então capital do estado e atual Cidade de Goiás — onde se inseriu nos círculos culturais e literários da época. Aos 17 anos, em 1906, publicou Corôa de Lyrios, tornando-se a primeira mulher a lançar uma obra literária no estado de Goiás. 

No ano seguinte, ingressou no Clube Literário Goiano, chegando a liderar algumas de suas sessões. Leodegária também atuou no movimento feminista da época: foi fundadora e redatora do semanário A Rosa, veículo de ativismo feminino. Sua produção literária articula questões de gênero, raça e o contexto social do Brasil no pós-abolição — uma voz à frente do seu tempo.

As inscrições para participar dos encontros virtuais, acessar o fórum de discussão e os materiais relacionados às obras podem ser realizadas por meio deste link. https://linktr.ee/03ejugeventos

Fonte: Diretoria de Comunicação Social do TJGO
Foto: Reprodução/TJGO