O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta redução da violência letal em Goiás em 2025, enquanto os registros de estelionato eletrônico cresceram 19,1% e os indicadores de violência sexual continuam exigindo atenção.
Goiás registrou uma redução expressiva nas mortes violentas intencionais em 2025, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O levantamento aponta que o estado passou de 1.386 vítimas em 2024 para 1.222 em 2025, uma queda de 11,8%. A taxa recuou de 18,9 para 16,5 mortes por 100 mil habitantes, alcançando o menor patamar da série histórica estadual iniciada em 2012.
O resultado coloca Goiás abaixo da média nacional, que ficou em 19,1 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes em 2025. Os números indicam uma melhora no cenário da violência letal, embora a redução não signifique que os desafios da segurança pública estejam superados.
As mortes violentas intencionais reúnem diferentes ocorrências, como homicídios dolosos, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais. Por isso, o indicador oferece uma visão mais ampla da violência letal do que a análise isolada dos homicídios.
Os dados fazem parte da edição de 2026 do Anuário, que utiliza informações referentes a 2025, fornecidas por órgãos estaduais de segurança pública e outras instituições oficiais. A publicação permite comparar os resultados entre estados e acompanhar a evolução dos indicadores criminais.
Caldas Novas exige uma análise específica
Para Caldas Novas, município de relevância turística em Goiás, é importante observar os dados estaduais sem confundi-los com a realidade local. O Anuário apresenta estatísticas por unidade da Federação e rankings específicos de municípios, mas não oferece, nas tabelas gerais, um panorama completo e individualizado de todos os crimes registrados em Caldas Novas.
Dessa forma, os números estaduais não permitem afirmar, isoladamente, que a criminalidade aumentou ou diminuiu no município. Para avaliar a segurança local com precisão, é necessário consultar os registros específicos da Polícia Civil, da Polícia Militar e da Secretaria de Segurança Pública de Goiás, considerando os números absolutos, as taxas por população e a evolução das ocorrências ao longo do tempo.
O fluxo de turistas, a circulação de pessoas e a movimentação comercial são aspectos relevantes para o planejamento da segurança em destinos turísticos, mas não devem ser usados como prova de aumento da criminalidade sem dados locais que sustentem essa conclusão.
Estelionato eletrônico cresce em Goiás
Um dos pontos de atenção do levantamento é o avanço dos golpes financeiros e das fraudes praticadas por meios digitais. Em Goiás, os registros de estelionato por meio eletrônico passaram de 4.733 casos em 2024 para 5.691 em 2025, crescimento de 19,1%. A taxa subiu de 64,4 para 76,7 registros por 100 mil habitantes.
No conjunto dos estelionatos, que inclui ocorrências tradicionais e eletrônicas, Goiás contabilizou 79.850 registros em 2025, praticamente estável em relação aos 79.105 casos registrados no ano anterior, com variação de -0,1% na taxa estadual.
O cenário acompanha uma tendência nacional. O Anuário contabilizou 2.261.055 registros de estelionato no Brasil em 2025, aumento de 2,7% em relação a 2024. Na comparação com 2018, o crescimento nacional chegou a 429,8%, evidenciando a dimensão que esse tipo de crime assumiu nos últimos anos.
Para moradores, comerciantes e turistas de Caldas Novas, os números reforçam a importância da prevenção contra falsas cobranças, mensagens fraudulentas, links suspeitos e contatos que solicitam transferências financeiras. No entanto, os dados estaduais não permitem determinar quantas dessas ocorrências foram registradas especificamente no município.
Registros de violência sexual apresentam redução, mas seguem como alerta
Outro indicador relevante é o de violência sexual. Segundo o Anuário, Goiás registrou 687 casos de estupro de mulheres em 2025, ante 728 em 2024, redução de 6,6%. Nos registros de estupro de vulnerável envolvendo mulheres, os números passaram de 3.005 para 2.655, queda de 12,5%.
Embora a redução dos registros seja um dado importante, ela não deve ser interpretada automaticamente como diminuição equivalente da violência efetivamente praticada. A subnotificação, as dificuldades para denunciar e outros fatores podem influenciar as estatísticas policiais, especialmente em crimes sexuais.
A proteção de crianças, adolescentes e mulheres, o acolhimento das vítimas e a investigação dos casos continuam sendo fundamentais. Assim como ocorre com os demais indicadores, é necessário consultar dados específicos de Caldas Novas para identificar a dimensão local dessas ocorrências.
Redução da violência letal não elimina os desafios
O balanço apresentado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que Goiás obteve avanços no enfrentamento da violência letal, com queda no número de vítimas e na taxa por habitante. Ao mesmo tempo, o crescimento dos estelionatos eletrônicos demonstra que a segurança pública também precisa acompanhar modalidades criminosas que utilizam a tecnologia para atingir a população.
Para Caldas Novas, a avaliação mais precisa depende da combinação entre os dados estaduais e as estatísticas municipais, com atenção aos crimes contra a vida, delitos patrimoniais, violência doméstica, crimes sexuais e fraudes digitais.
A análise dos indicadores, acompanhada de transparência na divulgação dos dados e de ações preventivas, é essencial para orientar políticas públicas e permitir que moradores e visitantes compreendam com maior clareza os desafios da segurança no município.
Confira a íntegra do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública: 2026



Fonte: 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), com dados referentes a 2025
Crédito das fotos: Divulgação / Fórum Brasileiro de Segurança Pública e Governo de Goiás/Gráficos ilustrativos criados por inteligência artificial.

