Desinformação e inteligência artificial são principais preocupações da Justiça Eleitoral de Goiás para 2026

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Durante o Café com Imprensa, desembargadores do TRE-GO destacaram os desafios para conter conteúdos falsos e reforçaram a segurança das urnas eletrônicas

A desinformação deve ser um dos principais desafios da Justiça Eleitoral de Goiás nas Eleições 2026. O alerta foi feito durante o Café com Imprensa, realizado nesta sexta-feira (14), em Goiás, com a participação de integrantes do Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO). Entre as preocupações apresentadas estão a velocidade de disseminação de conteúdos falsos, o uso de inteligência artificial e a necessidade de monitoramento permanente das campanhas eleitorais.

O desembargador eleitoral Laudo Natel Mateus destacou que um dos obstáculos enfrentados pela Justiça Eleitoral é a diferença entre a velocidade com que uma informação falsa se espalha e o tempo necessário para que medidas de remoção sejam adotadas. A preocupação ganha ainda mais relevância às vésperas do início oficial da propaganda eleitoral de 2026, marcada para este domingo (16).

A inteligência artificial aparece como um novo componente desse cenário. As regras estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para as eleições deste ano ampliaram as exigências sobre conteúdos produzidos ou modificados por inteligência artificial e estabeleceram mecanismos específicos para combater materiais capazes de comprometer o equilíbrio do pleito ou a integridade do processo eleitoral.

Entre as normas está a proibição do uso de deepfakes para prejudicar ou favorecer candidaturas. A legislação eleitoral também determina que conteúdos sintéticos produzidos com inteligência artificial, quando permitidos, sejam identificados de forma explícita, destacada e acessível. A regra alcança materiais de áudio, vídeo, imagens e peças impressas, conforme o formato utilizado.

O TSE também estabeleceu restrições específicas para conteúdos gerados ou modificados por inteligência artificial no período próximo à votação. De acordo com o calendário eleitoral, há uma janela em que fica proibida a publicação, republicação ou impulsionamento pago de novos conteúdos sintéticos que utilizem imagem, voz ou manifestação de candidatos ou de pessoas públicas, ainda que estejam devidamente identificados.

Durante o encontro, Laudo Natel também chamou atenção para a recorrência de fraudes relacionadas à cota de gênero, que, segundo ele, exige acompanhamento rigoroso por parte da Justiça Eleitoral. A questão se soma aos desafios relacionados à fiscalização das campanhas e ao uso das novas tecnologias no ambiente eleitoral.

A preocupação com a desinformação, porém, não significa apenas acompanhar conteúdos relacionados às candidaturas. Informações falsas ou gravemente descontextualizadas que atinjam a Justiça Eleitoral ou o sistema eletrônico de votação também estão no radar das autoridades. A regulamentação do TSE prevê mecanismos específicos para o enfrentamento desse tipo de conteúdo.

Em outra frente, o desembargador eleitoral Adenir Teixeira Peres Júnior reforçou a segurança das urnas eletrônicas. Segundo ele, a confiabilidade do equipamento não deveria mais ser tratada como uma questão em aberto, destacando que as eleições anteriores passaram por amplo processo de auditoria. Adenir integra atualmente o Pleno do TRE-GO como desembargador eleitoral da classe de juristas.

A Justiça Eleitoral mantém diferentes mecanismos de fiscalização e auditoria do processo de votação. O próprio TRE-GO mantém, entre suas estruturas, uma Comissão Permanente de Apoio à Auditoria da Votação Eletrônica, além de outras iniciativas voltadas à segurança e à transparência do processo eleitoral.

Na abertura do encontro com jornalistas, a presidente do TRE-GO, desembargadora Elizabeth Maria da Silva, ressaltou a importância da parceria com a imprensa para ampliar a transparência e contribuir para o enfrentamento da desinformação. A magistrada assumiu a Presidência do Tribunal para o biênio 2026-2028 e é a segunda mulher a ocupar o cargo na história da Corte eleitoral goiana.

A aproximação entre Justiça Eleitoral e imprensa ganha importância adicional em um ano de eleição geral, marcado pela presença crescente das redes sociais e das ferramentas de inteligência artificial. Para o TSE, as novas regras têm justamente o objetivo de preservar a integridade do processo eleitoral diante da possibilidade de produção e disseminação em larga escala de conteúdos manipulados.

Com o início da propaganda eleitoral neste domingo, a tendência é de que o volume de informações políticas aumente significativamente nas redes sociais e em outras plataformas digitais. Nesse ambiente, a orientação das autoridades eleitorais é para que candidatos, partidos, veículos de comunicação e eleitores estejam atentos à origem e à veracidade das informações, especialmente diante da facilidade de produção de conteúdos falsos ou manipulados por ferramentas de inteligência artificial.

Fonte: Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) e Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Crédito das fotos: Francisco Costa, conforme crédito informado no material original.